sexta-feira, 10 de junho de 2011

HISTÓRIA DE VALENÇA

O atual território do município de Valença, por ocasião do descobrimento do Brasil, era habitado por indígenas tupiniquins, de índole pacífica. Quando D. João III, Rei de Portugal, em 1534, dividiu o Brasil em Capitanias Hereditárias, aquela área ficou pertencente à capitania de Ilhéus, sob a jurisdição da Vila de Nossa senhora do Rosário de Cairu, local onde se fez o primeiro povoamento.
Entre as pessoas que vieram povoar o território em apreço, ocupava lugar proeminente Sebastião de Pontes, homem rico e de prestígio que já possuía dois engenhos de açúcar no recôncavo da Bahia. Muitos moradores se estabeleceram nas terras banhadas pelo rio Una, com fazendas de cana e mantimentos. Além desses moradores civilizados, havia, também, na vizinhança do engenho, uma aldeia subordinada a Sebastião de Pontes. Era o Senhor Sebastião de Pontes homem honrado, porém de gênio arrebatado e violento, acostumado à luta armada, havendo tomado parte em expedições contra os indígenas. Não costumava transigir com quem o ofendesse ou o contrariasse. Aconteceu por esse tempo, provavelmente em 1573, aparecer um mascate no engenho de Sebastião de Pontes e a este fez ofensa de que resultou mandar açoitá-lo e a ferro quente marcá-lo numa das espáduas.
Conta-se que este mascate, tempo depois, em Portugal, alcançou meio de apresentar-se ao rei quando este ia à missa, deixando cair à capa, única cobertura que levava sobre os ombros, mostrando-lhe o ferrete ignóbil e com muitas lágrimas implorou-lhe justiça. Foram imediatamente transmitidas ordens para a capital do Brasil, sobre a prisão e envio para Lisboa, de Sebastião de Pontes. Fez o governo real ir ao Morro de São Paulo num navio de guerra. Seu comandante visitou Pontes no engenho do Una e ardilosa e traiçoeiramente, convidou-o para uma visita ao navio. Sebastião de Pontes atraído para bordo, quando ali almoçava foi inteirado da verdade, metido a ferros e transportado para Lisboa. Recolhido à cadeia do Limoeiro, acabou seus dias. Desta maneira, desapareceu do Una o primeiro homem empreendedor que lhe deu prosperidade. Daí, invadida a região pelos índios aimorés, de índole bravia, diminuiu o progresso e ficou obstada por muito tempo a colonização do território de Valença. Anos depois, já no século XVIII, após sangrentas represálias aos aimorés pelos bandeirantes do paulista João Amaro Maciel Parente, reencontrou à localidade em fase de progresso, que justificou a proposta do ouvidor da Comarca de Ilhéus, Desembargador Baltazar da Silva Lisboa, para a criação de uma vila na povoação de Una. Aprovada a proposta do ouvidor, foi determinada, pela Carta Régia de 23 de janeiro de 1799, a criação da Vila de Nova Valença do Santíssimo Coração de Jesus, com território desmembrado do município de Cairu. Ocorreu sua instalação a 10 de junho do mesmo ano, com a presença do dito desembargador, que sugeriu a construção da Igreja do Santíssimo Coração de Jesus. Uma vez concluída, tornou-se matriz da freguesia, em 26 de setembro de 1801.
Nesta época começou a extração da madeira que se destinava a construção dos navios da armada real e a área desmatada foi sendo ocupada pelas atividades agrícolas, notadamente a mandioca , arroz de Veneza, café , pimenta do reino e canela.
Aos poucos os habitantes das ilhas próximas que viviam em constantes enfrentamentos com os índios e não conseguiam plantar foram voltando para a área , cujo núcleo de povoação se estabelecera nas proximidades da capela de Nossa Senhora do Amparo. A denominação Valença foi atribuída, segundo reza a tradição popular, por estes novos moradores, para os quais a localidade representava a solução para os seus problemas, Terra da Valença, da salvação.
Uma outra versão atribui a escolha deste nome ao conselheiro Baltazar da Silva Lisboa que na intenção de homenagear ao ministro Marques de Valença, elevou o povoado á categoria de vila, em 10 de junho de 1789, dando-lhe o título de Nova Valença.
Em 23 de Janeiro de 1799 foi criados a vila de Nova Valença do Santíssimo Coração de Jesus, com território desmembrado de Cairu. Neste mesmo ano começaram as obras de construção da Igreja do Santíssimo Coração de Jesus, concluída em 1801 e transformada em matriz da freguesia.
Por força da Resolução nº 368, de 10 de novembro de 1849, a sede municipal recebeu foro de cidade, sob a denominação de Industrial Cidade Valença.
A maior cidade da costa do dendê é ao mesmo tempo, uma plácida cidade pesqueira e colonial do século XVI e um dinâmico pólo comercial e de serviços da região. Famosa por seus camarões. Valença conta com um cais do porto onde o casario tem a beleza de um cartão postal antigo, ofertando aos visitantes um rico patrimônio histórico que convive em harmonia com os barcos pitorescos que povoam o Rio Una, que divide a cidade. Três pontes interligam as duas partes da cidade.
A região sofreu com a invasão holandesa na Bahia em 1624 e participou ativamente das lutas pela independência da Bahia.


ASPECTOS FÍSICOS E TERRITORIAIS
No o último censo, no município de Valença existe uma população aproximadamente de 82.936 habitantes, ocupando uma área de 1.294 km2, entre os paralelos de 13º22' de latitude sul e 39º04' de longitude oeste de Greenwich, a uma altitude de 5 m em relação ao nível do mar. O Município limita-se com o oceano Atlântico e Cairu a leste; Jaguaripe e Laje ao norte; Mutuípe e Presidente Tancredo Neves a oeste e Taperoá ao sul. A sua distância em relação a Salvador é de 262 km. Já a distancia Valença – Bom despacho é de 104 KM e Valença - Nazaré 42 Km. O relevo do Município é bastante movimentado, sendo caracterizado pela existência de planícies marinhas e fluviomarinhas, tabuleiros interioranos, tabuleiros pré-litorâneos e serras marginais. Dentre os acidentes geográficos encontrados no território municipal, cabe destaque para as serras do Abiá (ponto mais alto de Valença) e Serra do Frio, com 1.300 m de altitude, respectivamente, além de inúmeros rios e quedas d'água. A malha hidrográfica do Município está vinculada à bacia do Rio Una. Valença é cortada por inúmeros cursos d'água, a exemplo dos rios Una, Fonte da Prata, dos Reis, Vermelho, Piau, Graciosa ou do Engenho, etc.
LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
LIMITES MUNICIPAIS
De acordo com a lei nº 628 de 30 .12.1953 , os limites do município de Valença ficaram delimitados pelos seguintes marcos:
Com o município de Mutuípe – começa na Serra Preta, na nascente do Riacho da Coruja, desce por este até sua foz no rio do braço e por este abaixo até a foz do Riachão das Graças, pelo qual sobe até a foz do Riacho do Meio, por este acima até sua nascente: daí em reta até o extremo da Serra do Argolo, seguindo pelo dividor de águas desta até a nascente do Riacho Cariri, pelo qual desce até a foz do Riacho Vertente Seca.
Com o município de Laje – começa no Rio Cariri, na foz do Riacho Vertente Seca, pelo qual sobe até sua nascente, segue daí pelo divisor de águas da Serra do Frio até a nascente do Rio Una-Mirim, descendo por este até a foz do Racho Quebra Machado, sobe por este até sua nascente, de onde segue em reta até a nascente do Riachão dos Vieiras , pelo qual desce até sua foz no Rio Jequiriçá.
Com o Município de Jequiricá começa na foz do Riachão dos Vieiras no Rio Jequiriçá e segue pelo talvegue desde abaixo até sua foz no Oceano.
Com o Oceano Atlântico – começa na foz do Rio Jequiricá e segue pela orla do mar até a Ponta do Curral.
Com o município de Cairu: começa na Ponta do Curral e segue pelo canal que separa a Ilha de Tinharé do continente, até a foz do Rio Graciosa ou do Engenho.
Com o município de Taperoá: começa no canal entre a Ilha de Tinharé e o continente, na foz do Rio Graciosa ou do engenho, sobe por este até sua nascente na Serra do Mucugê, seguindo daí pelo divisor de águas entre as bacias dos Rios Preto e Una até o alto da Serra Preta, na nascente do Riacho da Coruja.
LIMITES COM OS DISTRITOS DO MUNICÍPIO
Entre o distrito de Valença e Maricoabo – começa no canal que separa aIilha de Tinharé e o continente, na foz do Riacho da Prata, pelo qual sobe até sua nascente, daí em reta até a nascente do Riacho Pitanga, segue daí pelo divisor de águas entre os Rios Una e Graciosa até a nascente do Riacho Sarapuí.
Entre os distritos de Valença e Guerém: começa na foz do Riacho Quebra Machado no rio Una-Mirim, descendo por este até sua foz no Rio Una, de onde segue em reta a nascente do Riacho Sarapuí.
Maricoabo e Guerém: começa na nascente do Rio Graciosa ou do Engenho, seguindo daí pelo divisor de água entre as bacias dos Rios Piau e do Engenho ou Graciosa até a nascente do Riacho Sarapuí. Guerém e Serra Grande: Começa no alto da Serra Preta, na nascente do Riacho da Coruja, segue pelo divisor de águas entre as bacias do Rio do Braço e Rio Piau até a junção destes dois rios; daí por uma reta na direção norte, até encontrar o Rio Una-Mirim.
DISTRITOS E POVOADOS
Valença é formada por cinco distritos: Sede da cidade, Maricoabo, Guerém, Serra Grande e Guaibim, além de inúmeras localidades rurais , dentre as quais se destacam os povoados de Sarapuí, Paraná, Cajaiba, Bonfim, Graciosa, Jequiricá, Tarimba, Taboado, Várzea, Abiá, Tabuleiro da Várzea, Tabuleiro do Taboado, Capela de Santana, Saruê e Garapa.

RELEVO
O relevo do Município é bastante movimentado, sendo caracterizado pela existência de planícies marinhas e fluviomarinhas, tabuleiros interioranos, tabuleiros pré-litorâneos e serras marginais. Dentre os acidentes geográficos encontrados no território municipal, cabe destaque para as Serras do Abiá ( ponto mais alto de Valença com 1300 m ) e Serra do Frio , com 900m de altitude. Além de inúmeros rios e quedas d`águas.
CLIMA
Segundo a classificação de thornthwait, o clima do município é do tipo úmido, apresentando temperatura média anual de aproximadamente 25, 3º C , oscilando entre a máxima de 31, 4º C e a mínima de 21, 8º C. As precipitações pluviométricas registradas em série históricas apresentam uma amplitude variável entre 1600 e 2400 mm. O período chuvoso ocorre entre abril e Junho , não existindo , entretanto, meses secos.
SOLOS
Os tipos de solos encontrados em Valença são latossolo, vermelho –amarelo, álico, latossolo variação uva álico, latossolo amarelo álico, padzólico vermelho-amarelo álico, solos indiscriminados de mangue, podzol hidromórfico, areias quartzozas marinhas e areias quartzozas álicas.
VEGETAÇÃO
Existe uma grande quantidades de ecossistemas coma predominância das seguintes formações vegetais: floresta ombrófila densa é caracterizada pela presença de árvores altas e exuberantes sempre verdes e representadas por poucos indivíduos de muitas espécies.
Formações pioneiras com influencia marinha (restinga) é uma formação vegetal que ocorre em superfície praticamente planas, em solos arenosos, formando cordões litorâneos paralelos á linha da praia.
Herbáceas e formações pioneiras com influencias fluviomarinhas – mangues – são tipos das zonas tropicais e se constitui em um dos ecossistemas de maior produtividade. São resultantes de processos de acumulação fluviomarinhas e localizam-se geralmente nos deltas dos rios (tipo arbórea).
A região era primitivamente coberta por Floresta Perenifólia (Mata Atlântica), hoje presente apenas em algumas manchas no extremo sul do Estado: com o desmatamento da cobertura vegetal originária , para a venda de madeira nobre e o desenvolvimento da agricultura, restaram apenas algumas áreas de floresta ombrófila densa. Os mangues e restingas são formações edáficas que refletem o ambiente pedológico inotável, constituído de material recente em constante evolução , devido as deposições fluviais e marinhas a que estão sujeitas.
Em Valença percebe-se a existência de uma longa área de restinga herbácea, na faixa de terra compreendida pela APA – área de proteção ambiente – de Guaibim. Os mangues estão presentes próximos aos estuários do Rio Una e são hospedeiros de uma fauna rica, povoados principalmente por moluscos e crustáceos.
HIDROGRAFIA
      A malha hidrográfica do município está vinculada á bacia do Rio Una. Valença é cortada por inúmeros cursos águas , a exemplo dos Rios Una, Fonte da Prata, dos Reis , Vermelho, Piau, Graciosa ou do Engenho. As lagoas da região são Douradas , São Fidelis e Derradeira.
OCORRÊNCIAS MINERAIS
Foram registradas ocorrências dos seguintes minerais: ferro , grafita, manganês, titânio e turfa.
ATIVIDADE ECONÔMICA MUNICIPAL:
Setor Primário = Produção
Principal economia: Agrária / Pesqueira / Pecuária
Setor Secundário: Indústria Têxtil / Maricultura / Construção Naval
Setor Terciário: Comércio / Imobiliária / Turismo
ECONOMIA DO MUNICÍPIO
Predominantemente primária agrícola e com base produtiva bastante diversificada. Destacam-se os cultivos do cacau, Dendê, coco, seringueira, mandioca, cravo, guaraná, pimenta-do-reino, urucum,etc.
HIDROGRAFIA:
Rio Una (Afluentes: Rio Piau, Patipe, Pitanga, Do Braço, dos Reis);
Rio jequiriçá – Separa os Municípios de Valença e Jaguaripe;
Rio Sarapuí;
Rio da Graciosa ou do engenho – Divide os Municípios de Valença e Taperoá. 
Atividades Turísticas desenvolvidas no Município:


HINO DE VALENÇA
Letra: Macária S. Andrade
Música: Manoel Amâncio Rosas (Barrinha)


Eu me orgulho de ti, minha terra,
Sou teu filho, hei de sempre te amar;
Este teu solo riqueza encerra e o teu povo te encerra no altar.

(Coro)

Valença nunca vencida,
Valença terra de paz.
Tu és sempre a “Decidida”
Comigo sempre tu estás.

Teu progresso teu solo querido
E a confiança que vens merecendo,
Nascem da fibra destes teus filhos
Que te querem ver sempre crescendo.

(Coro)

Teus brasões são tua fé, tua bandeira,
Tua glória, este povo viril.
De humana gente, tão hospitaleira,
Tu és grande entre as grandes do Brasil.

(Coro)

Valença nunca vencida,
Valença terra de paz.
Tu és sempre a “Decidida”
Comigo sempre tu estás. 

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